quinta-feira, 23 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
composição x execução
"(...) A atividade de aprender a cantar e tocar piano foi suplantada hoje pela de colecionar discos, um desenvolvimento inquietante que já começou a afetar o futuro. O público da música séria ficou cada vez mais passivo, e já não há um corpo importante de ouvintes com educação apropriada e experiência musical capaz de servir como uma ponte entre o público geral e o profissional.
A música popular tem hoje um grupo assombrosamente grande de jovens empenhados em apresentá-la de maneira particular, para o próprio lazer e o de alguns poucos amigos. É um fato que se confirma ao longo da história. Mas, em nossa época, a música popular inverte a relação clássica entre composição e execução: a execução se tornou tudo. (...) Nos grandes exemplos de música popular de nosso século - aqueles que já chegaram a um status de clássicos, como as grandes improvisações de jazz de músicos como Art Tatum ou Miles Davis -, a composição original passa a ser identificada à performance. (...) Tatum não realiza a composição de Porter, ele compõe uma obra inteiramente nova na qual a composição de base serve como um componente estrutural. No começo do século 20, as formas mais avançadas de música popular eram eventos essencialmente improvisados, sendo cada um único e efêmero: eram preservados não por uma partitura, mas ocasionalmente por uma gravação, e eram basicamente irrepetíveis.
(...) O papel da improvisação, no entando, foi reduzido no rock: nele, a gravação tomou conta. Uma apresetação pública de rock raramente é uma obra improvisada ou uma nova execução de uma partitura, mas simplesmente a reprodução de uma gravação. A maioria do público já conhece a música a partir de um disco e vai assistir para ter uma experiência comunal, em massa (no rock, o papel criativo do processo de gravação também deve ser levado em conta)."
Charles Rosen, "The Future of Music", 2001.
em Serrote #13 (Instituto Moreira Salles, março de 2013) Tradução de Adriano Scandolara.
Estava lendo o artigo acima e me lembrei desse texto besta e sub-nutrido que cometi em 2008, louvando as tecnologias de gravação e reprodução sonora.
O caso é que há um bom tempo a efemeridade da performance tornou-se passível de conservação, sem prazo de validade. Não deixa de haver uma certa magia nisso. Mas concordo com o Rosen em relação à "reprodução da gravação" que parece ser a regra nos concertos de música rock e pop hoje em dia, notadamente. Ele chega a citar, também, a música eletrônica, e define uma das vantagens da performance ao vivo em detrimento de gravações (mas parece esquecer do vídeo como uma alternativa): "Ao ouvir um disco, não se sente a dificuldade física da execução do texto musical, nem se testemunha, como num concerto, o espetáculo emocionante dos tormentos do intérprete". De qualquer forma, as percepções musicais do autor e do público serão sempre distintas, não importa o quão escolado ou descolado seja esse último. Mais ainda, a percepção de cada indivíduo será sempre distinta dos demais, e dele mesmo, em cada situação.
Cortázar já havia cantado a pedra:
"Agora uns amigos me deixaram uma vitrola e uns discos de Gardel. Entenda-se logo que Gardel deve ser ouvido na vitrola, com toda a distorção e a perda imagináveis; sua voz sai dali como foi ouvida pelo povo que não podia ouvi-lo em pessoa, como saía de vestíbulos e de salas em mil novecentos e vinte e quatro ou vinte e cinco. (...) Não são apenas as artes maiores que refletem o processo de uma sociedade."
Julio Cortázar, "Gardel", 1953.
em A Volta ao Dia em 80 Mundos - Tomo I (Civilização Brasileira, 2008) Tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht.
Segundo um dos comentários nesse vídeo, Gardel canta melhor a cada dia. Acho que isso resume o poder da execução/gravação. Mas é claro que se a composição fosse ruim, isso não faria diferença alguma.
A música popular tem hoje um grupo assombrosamente grande de jovens empenhados em apresentá-la de maneira particular, para o próprio lazer e o de alguns poucos amigos. É um fato que se confirma ao longo da história. Mas, em nossa época, a música popular inverte a relação clássica entre composição e execução: a execução se tornou tudo. (...) Nos grandes exemplos de música popular de nosso século - aqueles que já chegaram a um status de clássicos, como as grandes improvisações de jazz de músicos como Art Tatum ou Miles Davis -, a composição original passa a ser identificada à performance. (...) Tatum não realiza a composição de Porter, ele compõe uma obra inteiramente nova na qual a composição de base serve como um componente estrutural. No começo do século 20, as formas mais avançadas de música popular eram eventos essencialmente improvisados, sendo cada um único e efêmero: eram preservados não por uma partitura, mas ocasionalmente por uma gravação, e eram basicamente irrepetíveis.
(...) O papel da improvisação, no entando, foi reduzido no rock: nele, a gravação tomou conta. Uma apresetação pública de rock raramente é uma obra improvisada ou uma nova execução de uma partitura, mas simplesmente a reprodução de uma gravação. A maioria do público já conhece a música a partir de um disco e vai assistir para ter uma experiência comunal, em massa (no rock, o papel criativo do processo de gravação também deve ser levado em conta)."
Charles Rosen, "The Future of Music", 2001.
em Serrote #13 (Instituto Moreira Salles, março de 2013) Tradução de Adriano Scandolara.
Estava lendo o artigo acima e me lembrei desse texto besta e sub-nutrido que cometi em 2008, louvando as tecnologias de gravação e reprodução sonora.
O caso é que há um bom tempo a efemeridade da performance tornou-se passível de conservação, sem prazo de validade. Não deixa de haver uma certa magia nisso. Mas concordo com o Rosen em relação à "reprodução da gravação" que parece ser a regra nos concertos de música rock e pop hoje em dia, notadamente. Ele chega a citar, também, a música eletrônica, e define uma das vantagens da performance ao vivo em detrimento de gravações (mas parece esquecer do vídeo como uma alternativa): "Ao ouvir um disco, não se sente a dificuldade física da execução do texto musical, nem se testemunha, como num concerto, o espetáculo emocionante dos tormentos do intérprete". De qualquer forma, as percepções musicais do autor e do público serão sempre distintas, não importa o quão escolado ou descolado seja esse último. Mais ainda, a percepção de cada indivíduo será sempre distinta dos demais, e dele mesmo, em cada situação.
Cortázar já havia cantado a pedra:
"Agora uns amigos me deixaram uma vitrola e uns discos de Gardel. Entenda-se logo que Gardel deve ser ouvido na vitrola, com toda a distorção e a perda imagináveis; sua voz sai dali como foi ouvida pelo povo que não podia ouvi-lo em pessoa, como saía de vestíbulos e de salas em mil novecentos e vinte e quatro ou vinte e cinco. (...) Não são apenas as artes maiores que refletem o processo de uma sociedade."
Julio Cortázar, "Gardel", 1953.
em A Volta ao Dia em 80 Mundos - Tomo I (Civilização Brasileira, 2008) Tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht.
Segundo um dos comentários nesse vídeo, Gardel canta melhor a cada dia. Acho que isso resume o poder da execução/gravação. Mas é claro que se a composição fosse ruim, isso não faria diferença alguma.
sábado, 11 de maio de 2013
lançamentos + exposição
Lançaremos o gibi Tension de la Passion vol. 1 e o livro A Intrusa essa semana, no Rio e em São Paulo. Além disso, fomos convidados para uma exposição no Sesc Belenzinho (SP). A abertura é dia 15, quarta-feira. Participaremos com a revista Beleléu e o livro Aparecida Blues.
LANÇAMENTOS TENSION DE LA PASSION + A INTRUSA
Segunda, 13 de maio / 19h
Boteco Salvação
Rua Henrique de Novaes, 55 - Botafogo / Rio de Janeiro
Quinta, 16 de maio / 19h
Gibiteria
Praça Benedito Calixto, 158 - 1º andar / São Paulo
ABERTURA HQBR21 - O QUADRINHO BRASILEIRO DO NOVO SÉCULO
Quarta, 15 de maio / 20h
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 - Zona Leste / São Paulo
Segunda, 13 de maio / 19h
Boteco Salvação
Rua Henrique de Novaes, 55 - Botafogo / Rio de Janeiro
Quinta, 16 de maio / 19h
Gibiteria
Praça Benedito Calixto, 158 - 1º andar / São Paulo
ABERTURA HQBR21 - O QUADRINHO BRASILEIRO DO NOVO SÉCULO
Quarta, 15 de maio / 20h
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 - Zona Leste / São Paulo
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
G A S T U R A
comecei uma nova série semanal com o chapa André Valente:
se chama GASTURA, e é uma história em quadrinhos animada,
de trás pra frente, toda sexta, em gastura.tumblr.com
se chama GASTURA, e é uma história em quadrinhos animada,
de trás pra frente, toda sexta, em gastura.tumblr.com
quarta-feira, 10 de abril de 2013
nova loja beleléu
a beleléu está de loja nova!
e pra começar com o pé direito, todo o catálogo do selo está com 20% desconto,
até o dia 24 de abril.
check it out: revistabeleleu.com.br/loja
e pra começar com o pé direito, todo o catálogo do selo está com 20% desconto,
até o dia 24 de abril.
check it out: revistabeleleu.com.br/loja
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terça-feira, 2 de abril de 2013
domingo, 31 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
it's all in the game
O leitor pode perguntar-se por que estamos interessados, afinal, em máquinas de jogar xadrez. Pois não constituem elas apenas uma inofensiva vaidadezinha mercê das quais os especialistas em planificação buscam demonstrar sua proficiência a um mundo que esperam irá ficar boquiaberto e maravilhado diante de suas realizações? Homem honesto que sou, não posso negar que certa dose de narcisismo ostentoso esteja presente em mim, pelo menos. Contudo, como se verá em breve, não é o único elemento ativo no caso, nem o que tem maior importância para o leitor não-profissional.
(...) No conhecido jornal de Paris, Le Monde, edição de 28 de dezembro de 1948, um frade dominicado, Père Dubarle, escreveu uma resenha (...) que confirma algumas das terríveis implicações da máquina de jogar xadrez crescida e enfiada dentro de uma armadura.
A machine à gouverner (...) é por demais grosseira e imperfeita para exibir um milésimo do comportamento intencional e independente do ser humano. Seu verdadeiro perigo, contudo, é muito diverso - é o de tais máquinas, embora inermes por si mesmas, poderem ser usadas por um ser humano ou por um grupo de seres humanos para aumentar seu domínio sobre o restante da raça humana; ou o de líderes políticos poderem tentar dominar suas populações por meio não das próprias máquinas, mas através de técnicas políticas tão exíguas e indiferentes à possibilidade humana quanto se tivessem sido, de fato, concebidas mecanicamente. A grande fraqueza da máquina - fraqueza que nos salvou até aqui de sermos dominados por ela - é a de que ela não pode ainda levar em consideração a vasta faixa de probabilidades que caracteriza a situação humana. A dominação da máquina pressupõe uma sociedade nos últimos estágios de entropia crescente, em que a probabilidade é insignificante e as diferenças estatísticas entre os indivíduos nulas. Felizmente, ainda não alcançamos esse estado. (...)
Eu disse que o homem moderno, e especialmente o norte-americano moderno, por mais know-how que possa ter, tem muito pouco know-what. Aceitará a superior perícia das decisões feitas pela máquina sem indagar muito dos motivos e princípios que as fundamentam. (...) O que seja usado como peça de uma máquina, é, de fato, uma peça dessa máquina. Quer confiemos nossas decisões a máquinas de metal ou a essas máquinas de sangue e carne, que são as repartições oficiais, os vastos laboratórios, os exércitos e as companhias comerciais e industriais, jamais receberemos respostas certas às nossas perguntas se não fizermos perguntas certas.
Norbert Wiener, CIBERNÉTICA E SOCIEDADE: O Uso Humano de Seres Humanos (1954)
Capítulo X: Algumas Máquinas de Comunicação e Seu Futuro / Tradução: José Paulo Paes
.................................................................................................................................
APÊNDICE I
Louis Armstrong - It's All In The Game (1951)
Nat King Cole - It's All In The Game (1956)
(...) No conhecido jornal de Paris, Le Monde, edição de 28 de dezembro de 1948, um frade dominicado, Père Dubarle, escreveu uma resenha (...) que confirma algumas das terríveis implicações da máquina de jogar xadrez crescida e enfiada dentro de uma armadura.
(...) Não será possível conceber um aparelho estatal que abranja todos os sistemas de decisão política, quer sob um regime de muitos Estados distribuídos pela face da Terra, quer sobre o regime aparentemente muito mais simples de um governo humano deste planeta? Atualmente, nada nos impede de pensar nisso. Podemos sonhar com a época em que a machine à gouverner venha suprir - para o bem ou para o mal - a atual e óbvia insuficiência do cérebro, quando este se ocupa com a costumeira maquinaria política.
(...) Tanto quanto se possa avaliar, apenas duas condições podem garantir estabilização no sentido matemático do termo. São elas, de um lado, uma ignorância suficiente por parte do grande número de jogadores explorados por um jogador hábil, que pode, ademais, idear um método de paralisar a consciência das massas; ou, de outro lado, boa vontade bastante para permitir que cada qual, por amor à estabilidade do jogo, submeta suas decisões a um ou a alguns jogadores que tenham privilégios arbitrários. (...)
A machine à gouverner (...) é por demais grosseira e imperfeita para exibir um milésimo do comportamento intencional e independente do ser humano. Seu verdadeiro perigo, contudo, é muito diverso - é o de tais máquinas, embora inermes por si mesmas, poderem ser usadas por um ser humano ou por um grupo de seres humanos para aumentar seu domínio sobre o restante da raça humana; ou o de líderes políticos poderem tentar dominar suas populações por meio não das próprias máquinas, mas através de técnicas políticas tão exíguas e indiferentes à possibilidade humana quanto se tivessem sido, de fato, concebidas mecanicamente. A grande fraqueza da máquina - fraqueza que nos salvou até aqui de sermos dominados por ela - é a de que ela não pode ainda levar em consideração a vasta faixa de probabilidades que caracteriza a situação humana. A dominação da máquina pressupõe uma sociedade nos últimos estágios de entropia crescente, em que a probabilidade é insignificante e as diferenças estatísticas entre os indivíduos nulas. Felizmente, ainda não alcançamos esse estado. (...)
Eu disse que o homem moderno, e especialmente o norte-americano moderno, por mais know-how que possa ter, tem muito pouco know-what. Aceitará a superior perícia das decisões feitas pela máquina sem indagar muito dos motivos e princípios que as fundamentam. (...) O que seja usado como peça de uma máquina, é, de fato, uma peça dessa máquina. Quer confiemos nossas decisões a máquinas de metal ou a essas máquinas de sangue e carne, que são as repartições oficiais, os vastos laboratórios, os exércitos e as companhias comerciais e industriais, jamais receberemos respostas certas às nossas perguntas se não fizermos perguntas certas.
Norbert Wiener, CIBERNÉTICA E SOCIEDADE: O Uso Humano de Seres Humanos (1954)
Capítulo X: Algumas Máquinas de Comunicação e Seu Futuro / Tradução: José Paulo Paes
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APÊNDICE I
Louis Armstrong - It's All In The Game (1951)
Nat King Cole - It's All In The Game (1956)
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segunda-feira, 4 de março de 2013
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
cabeça dinossauro vol.1
ESGOTADO / leia aqui
___________________________________
Cabeça Dinossauro Vol.1 / Tiras 2012
A5 | 28 pags. | fotocópia
capa em carimbos de borracha
acompanha gravura de borracha em papel adesivo neon
tiragem limitada e numerada de 50 exemplares
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Cabeça Dinossauro Vol.1 / Tiras 2012
A5 | 28 pags. | fotocópia
capa em carimbos de borracha
acompanha gravura de borracha em papel adesivo neon
tiragem limitada e numerada de 50 exemplares
"Começou uma discussão geral. Era estranho que jamais se considerasse a possibilidade de eu ser um dinossauro; a culpa que me era imputada permanecia a de ser um Estranho, um Estrangeiro, logo um Infiel; e o ponto controverso era o quanto a minha presença poderia aumentar o perigo de um eventual retorno dos dinossauros."
Italo Calvino, As Cosmicômicas (1965)
domingo, 24 de fevereiro de 2013
pugilismo matinal
Durante o café, como quem não quer nada, ela mandou uma indireta de esquerda bem no meio das minhas fuças. Pego assim, desprevenido, retruquei com uma palavra-cruzada no queixo. “Dramalhão mexicano, horizontal, 13 letras”. Sem titubear, ela emendou uma sequência de ganchos e trocadilhos que me fizeram perder o fio da meada. Atordoado, encurralado na corda-bamba, esquivei-me como pude, com evasivas e meias-palavras. Mas ela tinha experiência e um belo jogo de pernas. O gongo da torradeira me salvou da saraivada impiedosa de perguntas que viria a seguir.
Pagamos a pizza. Mal havia cuspido no prato em que comera, começamos o segundo assalto, sem chance de jogar a toalha. Lavamos a roupa suja sem ao menos separar as mentiras brancas. O árbitro desistiu de apitar os impedimentos e golpes baixos na pequena área. Já havíamos passado do décimo assalto, moídos, os superegos abertos, quando foi declarado o empate técnico. Contamos até dez e abandonamos o ringue, sem ressentimentos.
Pagamos a pizza. Mal havia cuspido no prato em que comera, começamos o segundo assalto, sem chance de jogar a toalha. Lavamos a roupa suja sem ao menos separar as mentiras brancas. O árbitro desistiu de apitar os impedimentos e golpes baixos na pequena área. Já havíamos passado do décimo assalto, moídos, os superegos abertos, quando foi declarado o empate técnico. Contamos até dez e abandonamos o ringue, sem ressentimentos.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
sobras bobas (2006-2008)
gravei essas faixas um pouco antes de me mudar de brasília, mais ou menos junto com o factótum.
faltaram algumas coisas para completá-las, e acabei deixando de lado.
mas, pra não deixar isso aqui parado, juntei tudo em mais um álbum digital totalmente grátis.
espero que gostem.
faltaram algumas coisas para completá-las, e acabei deixando de lado.
mas, pra não deixar isso aqui parado, juntei tudo em mais um álbum digital totalmente grátis.
espero que gostem.
18:48 | 16 mb
1. quem você pensa que é (você é)
2. extraterrestres na explanada
3. fogo no cerrado
4. sleep it off
5. não tenha pressa
6. fool around
7. rouco, brazil
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música
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
minhas férias
Durante as minhas férias? Estrangulei um leão e arranquei a pele dele. Depois matei uma serpente com corpo de dragão e nove cabeças – mas nenhuma idéia interessante –, daí aproveitei para comer uma casquinha de caranguejo. Fiquei sem sobremesa, mas no dia seguinte apostei corrida com uma corça, capturei um javali e limpei o curral do rei em troca de uns trocados pra comprar ficha de fliperama. Atirei com arco e flecha em passarinho e fui às touradas, dei comida aos cavalos marinhos e roubei os cintos das velhotas do bairro. No último dia, matei um gigante que vivia roubando meu lanche no colégio, e brinquei com o cachorro do vizinho, de três cabeças e três rabos (o cachorro, não o vizinho), que comeu o meu dever de casa. Aí roubei goiaba no jardim e fiz um curso de musculação por correspondência. Então as férias acabaram e voltei ao trabalho.
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Pindura + Monstros em SP
//
sábado, 16 de fevereiro
das 16 às 22hs
na Monkix Livraria
Rua Augusta 1492 / 21
evento no facebook
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
homework
história minha que acabou de sair na coletânea eslovena WORKBURGER, aqui em cores.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
o rei está nu
Bons os tempos em que tentavam nos empurrar apenas a roupa do imperador. Isso já não é exclusividade da indústria da moda. Hoje em dia, vendem não só a roupa, mas a dieta, os acessórios, o perfume, a música, as convicções, o silicone, o penteado e as vitaminas do imperador. Vinte e quatro horas por dia, pelo telemarketing, outdoors, pop-ups, spams, flyers, filipetas, reclames, anúncios, bulas, comerciais, banners e cartões-postais e, o pior: FORA DELES. Os advogados, jornalistas e publicitários do imperador fazem muito bem o seu trabalho, e quanto mais eficientes, mais invisíveis. Está em toda a parte, estamos cercados e não há como correr. Mas o lifestyle do imperador também não é exclusividade das monarquias e do high-society, é democrático e aceita cheque, cartão, tíquete e caução, em suaves 365 parcelas (fiado, jamais), com juros de apenas 100% ao ano (e não estamos falando de dinheiro). Mas isso, infelizmente, nem todos conseguem ver.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
iceberg
fiz esse mural (aqui, ainda inacabado)
com os colegas elcerdo e victor marcello
na garagem gamboa, semana passada.
não costumamos trabalhar em grandes formatos,
foi uma boa experiência para os três.
e adivinha só, em breve tem mais!
até aqui tudo bem
fiz essa música logo que me mudei para o rio, em pleno carnaval de 2009.
o registro original dela é a última faixa do zine sonoro "solidão & cia. vol 3", gravado num quarto de pensão em santa teresa, onde fiquei por duas semanas.
cheguei quando chovia pela última vez
no verão, no carnaval, na final do campeonato estadual
eu era mais um
vestindo as cores erradas
fantasiado de vocês
conheci a argentina
que achou hermoso mi trabajo de paranormal
mas ao cruzar com ela na segunda esquina
não a vi, pois conferia a loteria
a hora era aquela
mas aquela hora
eu não era quem eu sou agora
ninguém comemora o aniversário do coroa na pensão
enquanto isso as minhas malas
estão mofando no porão
pedi para ficar com a cozinha
me ofereceram a escadaria sem fogão
assim não vai dar não
já conheço a vizinhança
como a palma da minha talentosa mão direita
acenando para o bonde que passa do ponto
arriscado de pegar andando
trilho a linha do trem
até o outro lado
pra dormir no sofá de alguém
da terceira vez a gente acerta
e então fica tudo bem
mas vai saber
a bola é redonda e o xadrez é uma caixinha de surpresa
mesmo sempre com a mesma escalação
o registro original dela é a última faixa do zine sonoro "solidão & cia. vol 3", gravado num quarto de pensão em santa teresa, onde fiquei por duas semanas.
cheguei quando chovia pela última vez
no verão, no carnaval, na final do campeonato estadual
eu era mais um
vestindo as cores erradas
fantasiado de vocês
conheci a argentina
que achou hermoso mi trabajo de paranormal
mas ao cruzar com ela na segunda esquina
não a vi, pois conferia a loteria
a hora era aquela
mas aquela hora
eu não era quem eu sou agora
ninguém comemora o aniversário do coroa na pensão
enquanto isso as minhas malas
estão mofando no porão
pedi para ficar com a cozinha
me ofereceram a escadaria sem fogão
assim não vai dar não
já conheço a vizinhança
como a palma da minha talentosa mão direita
acenando para o bonde que passa do ponto
arriscado de pegar andando
trilho a linha do trem
até o outro lado
pra dormir no sofá de alguém
da terceira vez a gente acerta
e então fica tudo bem
mas vai saber
a bola é redonda e o xadrez é uma caixinha de surpresa
mesmo sempre com a mesma escalação
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
peixe morto, fresco e torto
NOTÍCIA RUIM
eu não quero sair no jornal
tal qual mais um
imóvel
classificado
e rotulado
desesperado
no meu quadrado
eu quero servir de embrulho
pros peixes dessa feira
bem enrolado
e apertado
refrigerado
e besuntado
quando você for na xepa
me leve embora
me jogue fora
mal vejo a hora
de virar notícia velha, meu irmão
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
torre come peão
O texto a seguir foi escrito há alguns meses. Achei melhor ficar de bico fechado enquanto a coisa se desenrolava na justiça. Mas, como justiça não houve, precisava tirar isso do peito. Cuidado com "editoras" que faturam publicando autores desconhecidos, meus caros. Eles só querem vender cerveja. Gostaria de compartilhar com vocês, também, algumas considerações edificantes do Sr. Renato Amado Barreto, apresentadas em sua contestação à minha ação:
"O projeto gráfico é de autoria do autor porque assim ele quis; assim ele apresentou o livro à editora. E ele próprio reclama das impressões feitas em 14 x 21 cm. O autor deve decidir-se: ou fazia questão do projeto gráfico por ele apresentado ou queria que editora fizesse o livro pelo projeto gráfico que bem entendesse."
"Donde se conclui que, em tendo havido os fatos não provados alegados pelo réu, foram fatos isolados, cometidos pela outra ré, uma pequena empresa que luta heroicamente para manter-se no exíguo mercado literário-cultural carioca. Punir-se, portanto, o quê? A disposição de se fazer cultura num país desfavorável para tal? Supondo-se que tenham ocorrido os fatos alegados pelo autor - o que, registre-se, não foi provado nos autos -, não seria algo pequeno demais e dentro da margem tolerável de erro?"
"Centenas de livros de poesia são publicados todo mês no país, sendo que a maioria não vende sequer cem exemplares. Apenas grandes nomes conseguem vendas significativas. Não sendo este o caso do autor, seu potencial de vendas é limitado, o que acabou sendo provado pelas poucas vendas ocorridas. Nem se diga que tal se deu em função de pouca divulgação do livro, uma vez que não há espaço na mídia nacional para divulgação de livro de estreia de poetas desconhecidos, a menos que se trate de um nome de grande inserção, o que não é o caso do autor, até porque, se fosse, teria publicado sua obra por uma grande editora."
Realmente heróico. Pelo jeito só o Paulo Coelho merece respeito por parte de editoras. É uma pena que eu queira fornecer um produto de qualidade para os leitores, onde todo o conteúdo e a forma, projeto gráfico, acabamento, capa e FORMATO, sejam pensados especificamente para cada título, de modo a proporcionar a experiência de leitura ideal em cada caso. O prezado senhor parece se esquecer do que havia escrito antes, em negrito, no mesmo documento: "... o autor do livro é o mais importante partícipe na produção do produto livro."
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Queridos e queridas leitores(as), quem avisa amigo é:
NÃO COMPREM MAIS "A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM É".
Acontece que a tal editora meteu os pés pelas mãos desde o começo. E além da falta de noção, o descaso comigo, convosco e com o pobre livro é total. Vejam bem, um caro amigo encomendou três livrinhos na lojinha virtual, para receber apenas um, grotescamente esticado e anormal. Praticamente uma falsificação oficial, e não obteve qualquer resposta ou reembolso. Quem comprou na minha mão, conhece o singelo tamanho original: 10 x 7,5 cm, para caber perfeitamente no bolso da calça, da camisa ou do casaco, ou ainda dentro da bolsa das senhoritas que por acaso possam querer consultar alguma das espirituosas sentenças para cíta-las à mesa do bar. Quantos outros clientes terão recebido o livro com o projeto gráfico deformado na marra?
Mas antes fosse apenas isso, caríssimos leitores.
Do livro não vi um tostão, além do que eu mesmo revendi, tendo pessoalmente comprado de antemão. Qualquer resposta da parte deles? Tive não. O que me leva a indagar se os referidos senhores não se encontram no ramo errado de negócios, ou mesmo no galho, árvore ou floresta erradas, incapazes que foram de cumprir as tarefas básicas para a vida da publicação. Ficha catalográfica? Não há. Foram capazes de publicar o pobre livro ainda com a frase de marcação no espaço reservado: "dados para catalogação". ISBN? Inexistente, ou pior: fictício. O código de barras é um blefe. Revisão, diagramação? Tudo feito por mim mesmo. Conclusão: pra que diabos serve uma editora assim?
Procurei advogados. Entrei na justiça, que ironicamente tardou e falhou. Ficamos por isso mesmo, como geralmente ocorre no nosso querido país, mas aproveito para deixar aqui uma versão digital completa do livro (considerando que a obra está licenciada nesse sentido). Fiquem à vontade.
Tão logo tenha passado a data de validade do contrato (já apodrecido e mofado), lanço de novo. Dessa vez, por conta própria e como se deve. Deve ser mesmo tempestade em copo d'água, querer que cumpram o contrato. Ou o rasguem, pelo menos, já que não vale nada. Não pedi milhões de dólares ou enforcamentos em praça pública, apenas a rescisão do dito cujo, a retirada do livro da loja virtual da editora e os honorários dos advogados que precisei contratar para que me respondessem. Well, a melhor vingança é viver bem e comer pratos frios, que o verão está de lascar. Engulam meus livros que ainda virão, é o que posso oferecer.
Atualização: a simpática editora foi comprada por outra mais simpática ainda. Eles que descasquem o abacaxi. Com o ânus.
"O projeto gráfico é de autoria do autor porque assim ele quis; assim ele apresentou o livro à editora. E ele próprio reclama das impressões feitas em 14 x 21 cm. O autor deve decidir-se: ou fazia questão do projeto gráfico por ele apresentado ou queria que editora fizesse o livro pelo projeto gráfico que bem entendesse."
"Donde se conclui que, em tendo havido os fatos não provados alegados pelo réu, foram fatos isolados, cometidos pela outra ré, uma pequena empresa que luta heroicamente para manter-se no exíguo mercado literário-cultural carioca. Punir-se, portanto, o quê? A disposição de se fazer cultura num país desfavorável para tal? Supondo-se que tenham ocorrido os fatos alegados pelo autor - o que, registre-se, não foi provado nos autos -, não seria algo pequeno demais e dentro da margem tolerável de erro?"
"Centenas de livros de poesia são publicados todo mês no país, sendo que a maioria não vende sequer cem exemplares. Apenas grandes nomes conseguem vendas significativas. Não sendo este o caso do autor, seu potencial de vendas é limitado, o que acabou sendo provado pelas poucas vendas ocorridas. Nem se diga que tal se deu em função de pouca divulgação do livro, uma vez que não há espaço na mídia nacional para divulgação de livro de estreia de poetas desconhecidos, a menos que se trate de um nome de grande inserção, o que não é o caso do autor, até porque, se fosse, teria publicado sua obra por uma grande editora."
Realmente heróico. Pelo jeito só o Paulo Coelho merece respeito por parte de editoras. É uma pena que eu queira fornecer um produto de qualidade para os leitores, onde todo o conteúdo e a forma, projeto gráfico, acabamento, capa e FORMATO, sejam pensados especificamente para cada título, de modo a proporcionar a experiência de leitura ideal em cada caso. O prezado senhor parece se esquecer do que havia escrito antes, em negrito, no mesmo documento: "... o autor do livro é o mais importante partícipe na produção do produto livro."
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Queridos e queridas leitores(as), quem avisa amigo é:
NÃO COMPREM MAIS "A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM É".
Acontece que a tal editora meteu os pés pelas mãos desde o começo. E além da falta de noção, o descaso comigo, convosco e com o pobre livro é total. Vejam bem, um caro amigo encomendou três livrinhos na lojinha virtual, para receber apenas um, grotescamente esticado e anormal. Praticamente uma falsificação oficial, e não obteve qualquer resposta ou reembolso. Quem comprou na minha mão, conhece o singelo tamanho original: 10 x 7,5 cm, para caber perfeitamente no bolso da calça, da camisa ou do casaco, ou ainda dentro da bolsa das senhoritas que por acaso possam querer consultar alguma das espirituosas sentenças para cíta-las à mesa do bar. Quantos outros clientes terão recebido o livro com o projeto gráfico deformado na marra?
Mas antes fosse apenas isso, caríssimos leitores.
Do livro não vi um tostão, além do que eu mesmo revendi, tendo pessoalmente comprado de antemão. Qualquer resposta da parte deles? Tive não. O que me leva a indagar se os referidos senhores não se encontram no ramo errado de negócios, ou mesmo no galho, árvore ou floresta erradas, incapazes que foram de cumprir as tarefas básicas para a vida da publicação. Ficha catalográfica? Não há. Foram capazes de publicar o pobre livro ainda com a frase de marcação no espaço reservado: "dados para catalogação". ISBN? Inexistente, ou pior: fictício. O código de barras é um blefe. Revisão, diagramação? Tudo feito por mim mesmo. Conclusão: pra que diabos serve uma editora assim?
Procurei advogados. Entrei na justiça, que ironicamente tardou e falhou. Ficamos por isso mesmo, como geralmente ocorre no nosso querido país, mas aproveito para deixar aqui uma versão digital completa do livro (considerando que a obra está licenciada nesse sentido). Fiquem à vontade.
Open publication - Free publishing
Tão logo tenha passado a data de validade do contrato (já apodrecido e mofado), lanço de novo. Dessa vez, por conta própria e como se deve. Deve ser mesmo tempestade em copo d'água, querer que cumpram o contrato. Ou o rasguem, pelo menos, já que não vale nada. Não pedi milhões de dólares ou enforcamentos em praça pública, apenas a rescisão do dito cujo, a retirada do livro da loja virtual da editora e os honorários dos advogados que precisei contratar para que me respondessem. Well, a melhor vingança é viver bem e comer pratos frios, que o verão está de lascar. Engulam meus livros que ainda virão, é o que posso oferecer.
Atualização: a simpática editora foi comprada por outra mais simpática ainda. Eles que descasquem o abacaxi. Com o ânus.
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012
pindura 2013
o calendário mais bonito do brasil está de volta - desta vez, pelo selo beleléu.
assino a edição e o projeto gráfico, como no ano passado.
o lançamento em brasília é nesse domingo, mas já dá pra comprar pelo site: pindura.tumblr.com
domingo, 13 de dezembro
a partir das 16h
espaço laje
708 sul bloco A casa 47
evento no facebook
assino a edição e o projeto gráfico, como no ano passado.
o lançamento em brasília é nesse domingo, mas já dá pra comprar pelo site: pindura.tumblr.com
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